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Intimus


Abandono meu sonho

Por falta de persuasão

Porque o roubaram de mim

Em uma ingrata traição

 

Abandono meu sonho

Por falta de neurônios

Porque não fui perspicaz

Ao lidar com ferormônios

 

Abandono meu sonho

Não por falta de amor

Porque amizade brotou

Em meio desabonador

 

Abandono meu sonho

Por falta de dor

Porque fui mais feliz

Ao lidar com o fervor

 



Escrito por BeatriceRusso às 21h02
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Gabo do que não me subordino

Do que viro, reviro, enalteço

Gabo do avesso estampido

Pro mundo ver e conhecer

A crueza do seu interior.

 

Gabo do que não me submeto

Do que desafio, arranco, rompo        

Gabo do que desmorono

Pro mundo acordar e olhar

A fragilidade da sua sustentação.

 



Escrito por BeatriceRusso às 19h19
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Cuidado comigo

Que as águas do meu rio são claras

E seu fundo é bem visível

Cuidado que pressinto

Donde vem a correnteza

E nela sigo lenta e distraída

Até onde alcança a doce destemida

Que me leva à recaída,

Ao mar que a retorna.

 

Cuidado comigo

Que a pororoca do meu rio é revoltosa

E suas ondas furiosas

Cuidado que pressinto

Donde vem o frenesi

E dele me liberto

Até onde se desmancha o véu

Que cobre o meu sonho

Ao som do que o silencia.



Escrito por BeatriceRusso às 19h19
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Você me prometeu que seus olhos seriam o fim da minha viagem

E eles foram apenas o começo de uma longa trajetória.

O fruto que amadurece tem o sabor da nostalgia

Reflete o amor que um dia o fez brotar.

 

Tenho agora os seus olhos refletidos nesse fruto

Que a cada dia supera seus encantos

E pinta com a sua cor uma nova história

Que se cria a partir de uma nova experiência.



Escrito por BeatriceRusso às 12h34
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Ela veio triunfante, sedutora

Exalando o seu perfume

Que suspenso envolveu

Aquela gente provinciana

Com toda a sua aura celestial

Na sua grandeza humanitária

A liberdade veio e me vestiu

Abriu meus olhos no seu azul

Ao que me lancei na paz alvejante

Permanecendo na serenidade

Até o despontar dos poentes

Rubramente invejosos, ou

Até a vindoura manhã

Repentinamente vitoriosa.

 

 



Escrito por BeatriceRusso às 23h18
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Beijar sua boca deliciosamente

E todo seu corpo em deleite

Ao meu dispor simplesmente

Puro e vivo como livre enfeite

 

Percorrer sua pele macia

Pelo seu peito forte

Pelos seus músculos

E à sua voz que pedia

 

Beijar, sobretudo abraçar

Em meio ao lance nas águas

Benfazejas e abundantes

Corredeiras e revoltas

 

Que me revolvas além do olhar

além do desejo que nos consome

Dessa querença insaciada

que se mantém desvairada

 



Escrito por BeatriceRusso às 00h24
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De olhar-te e sentir que me olhas sinto a deliciosa sensação

A vontade de estar sempre perto e de querer bem

É como uma saudade daquilo que a gente não viveu

E por certo nem viveremos

Vou-me embora pra Austrália

Mesmo sem ser amiga do rei

Vou-me embora pra Austrália

Pois lá estarei livre

do simples saber da sua presença

Aqui tão perto

Aqui tão forte

Vou-me embora e estarei livre

Pra respirar, pra viver

Estarei livre pra esquecer

Que um dia o desejei tanto

E lhe quis tão perto.



Escrito por BeatriceRusso às 23h12
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Escrito por BeatriceRusso às 12h12
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Esse silêncio todo me atordoa

Porém não permaneço atenta

Mantenho a distância que

o meu coração necessita

para não se machucar.

 

E assim preservo o meu sonho

Lindo, intacto, permanente

Para que nele reines absoluto

Junto a mim para todo o sempre

Fora do risco de perder-te.

 

E assim nossas pupilas

Estarão sempre protegidas

De uma realidade fugaz

De um desejo descontrolado

De um tão mero acaso.



Escrito por BeatriceRusso às 08h32
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Um calor que é por fora e é por dentro;

Dentro da bermuda ou dentro do vestido;

Dentro dos desvios ou dentro dos sentidos;

Um calor dentro e fora

de lágrima e de suor

de tesão e de persuasão

de ardência e de permanência

raiando com o sol

pairando no mormaço

Entre os corpos

um calor que nos une

telepaticamente...

 



Escrito por BeatriceRusso às 14h55
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Eu te amo com a certeza de um futuro

Porque agora parece não ser a hora

Porque o nosso momento será pleno

 

Eu te amo porque vejo em ti

A minha própria identidade

Que custei muito a construir

 

Eu te amo porque te desejo

Com o mesmo olhar que me lanças

E com o mesmo sorriso

Que aflora em nossas crianças



Escrito por BeatriceRusso às 21h31
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Desembrulha coração e bata mais forte na emoção que aflige e toma conta dos meus sentidos, aperta o peito, torça as lágrimas de mim até se escorrerem sob o meu corpo nu, orvalha a tez morena, torna-me serena para que eu possa viver mais. Existe uma criança, é preciso viver por ela, coração, bata por ela, que hei de ama-la até o fim.



Escrito por BeatriceRusso às 22h37
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Dizem que aos quatro anos é que se desperta a sexualidade na criança, e observo a minha desde já, sua curiosidade com os órgãos sexuais, ao mesmo tempo uma doce ingenuidade. Seus olhinhos infantis sequer suspeitam uma cópula, eles apenas brilham atentos, luminosos nas conversas sobre o assunto, e quando se fecham quietos, formulam idéias do que seja esse misterioso desejo que unifica homem e mulher. Seu pensamento ágil sequer projeta uma imagem do amor se concretizando, ele apenas interroga, frágil mediante o tamanho esplendor da realidade. Quisera eu esconder-lhe a verdade por toda a vida e, no intuito de proteger, privar-lhe da beleza do corpo e seus desfrutes, apenas para manter o meu controle egoísta feito de insegurança, de medo e de deficiência.   



Escrito por BeatriceRusso às 21h53
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Bia

A prova viva de que este amor existiu em nós e quis perpetuar com alegria. Toda a energia que nossa guria espalha é a intensidade que foi o nosso romance enquanto durou. Romance tão curto que pareceu até um poema, com palavras fortes e rimas suaves compactuou nossos sentimentos extremados e configurou-se em métrica e sonorização. Na musicalidade do balanço é que a vejo, sempre curiosa a descobrir e se emocionar, o olhar negro brilhante refletindo tudo em volta, a voz sempre alta, como se falasse a uma enorme platéia, a fazem unicamente uma mistura de nós dois, que nos amamos em uma entrega cega, famigerada, desumana, mas repleta da formosura de amar.

 



Escrito por BeatriceRusso às 20h56
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No meu corpo se debatem sensações ondulantes da lembrança da fisionomia excitada, do olhar transbordante que encabulou avermelhando o ambiente apertado que aconchegou-nos mais e mais, estremeço minhas pernas e bamboleio meus quadris desaguando prazer no projeto desta imaginação ilimitada que a mente insiste em repassar trazendo sufoco aos pensamentos e erotismo aos delírios viciados na pausada cena de nós dois atados pelo desejo carnal.



Escrito por BeatriceRusso às 21h53
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