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Dizem que aos quatro anos é que se desperta a sexualidade na criança, e observo a minha desde já, sua curiosidade com os órgãos sexuais, ao mesmo tempo uma doce ingenuidade. Seus olhinhos infantis sequer suspeitam uma cópula, eles apenas brilham atentos, luminosos nas conversas sobre o assunto, e quando se fecham quietos, formulam idéias do que seja esse misterioso desejo que unifica homem e mulher. Seu pensamento ágil sequer projeta uma imagem do amor se concretizando, ele apenas interroga, frágil mediante o tamanho esplendor da realidade. Quisera eu esconder-lhe a verdade por toda a vida e, no intuito de proteger, privar-lhe da beleza do corpo e seus desfrutes, apenas para manter o meu controle egoísta feito de insegurança, de medo e de deficiência.
Escrito por BeatriceRusso às 21h53
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