Eu quero ouvir as crianças cantarem
Para ter a certeza de que o mundo existe
E supor a dignidade com que se perpetuará
Eu quero ver as crianças sorrirem
Para garantir que a felicidade existe
E supor a qualidade com que se desenvolverá
Eu quero ver e ouvir as crianças
Estar atenta aos seus movimentos
Reverenciar as suas sábias palavras
E supor a verdade com que o mundo se deparará
Eu quero aprender a lição das crianças
Para me indignar com a injustiça que existe
E supor o tempo no qual se eliminará
Eu quero rodar na ciranda das crianças
Para girar o meu corpo a provar que existe
E supor a velocidade com a qual o planeta se moverá
Escrito por BeatriceRusso às 01h09
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No meu primeiro mês de gestação sinto falta de ar, sinto medo, quero me entranhar, e vou me fechando, encurralando-me no meu casulo, fraca, indefesa, vou me franzindo até derreter, me transformo em sangue e desço pelo ralo. Depois sou coágulo e seres bem minúsculos me desfazem e me transformam em gás poluente. Dessa forma me elevo até o céu e permaneço serena até que uma planta caridosa me suga e me transforma em puro oxigênio. Eis que poderei ser respirada por minha progenitora e dentro de seu corpo serei desbravadora, pela via de suas artérias descobrirei o interior de seus órgãos, saberei do seu fígado, dos seus intestinos e do seu coração, serei bombeada aos pulmões e lá me renovarei. Se entrasse como líquido seria absorvida pelos seus rins, assim estaria mais próxima dos seus genitais e poderia mapeá-los, inclusive, nomeando cada parte, a bexiga, o canal da uretra e a vagina, que não são um, apesar de estarem bem juntos, como o bebê que ao nascer tão unido à mãe, é outra pessoa, com particularidades muito próprias.
Conclusão: A existência se destina a uma carga genética única, porém incompleta.
A vida preenche, contorna, transforma, porém nunca acaba.
Escrito por BeatriceRusso às 20h13
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